Cresce o interesse de mulheres por cibersegurança no Brasil

Ano após ano o crescimento do mercado de TI é notícia. Até abril do ano passado, segundo um levantamento da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), as empresas que atuam no ramo contrataram 69 mil colaboradores no Brasil (em 2020 foram 59 mil contratações).

Um dos setores de destaque é o de cibersegurança. Em meio ao aumento nas oportunidades de trabalho, o estudo ressalta que o número de mulheres no mercado de tecnologia da informação também cresceu, inclusive ocupando mais cargos de liderança.

Exemplo de programação JavaScript; número de mulheres que buscam cursos de cibersegurança triplicou nos últimos três anos. 
Mão de obra feminina já responde por uma fatia de 24% de toda a comunidade de TI, diz estudo. Imagem: Poring Studio/Shutterstock

Este cenário pode ser observado na procura por capacitação. De acordo com um levantamento da HackerSec, empresa que atua com capacitação em cibersegurança, o número de mulheres que buscam cursos de cibersegurança triplicou nos últimos três anos.

“Atualmente, temos cerca de 28% de alunas, contra os 5% matriculadas respectivamente em 2019 e 2020. A estimativa para esse ano é de alcançarmos mais de 35% de inscrições do público feminino”, destaca Andrew Martinez, CEO da HackerSec.

Outro estudo do Cybersecurity Workforce Research revela que a mão de obra feminina já responde por uma fatia de 24% de toda a comunidade de TI, mais que o dobro do registrado em 2017, ano em que o percentual era de apenas 11%. Também há um movimento cada vez mais forte de igualdade nas condições de trabalho.

Para Martinez, embora o cenário ainda não seja igualitário, é possível “visualizar uma corrida para nivelar a disparidade de gênero no segmento”.

“Observamos que as profissionais de cibersegurança são, em geral, mais dedicadas do que os homens e possuem mais chances de alcançarem posições de liderança”, ressalta o executivo.

No entanto, segundo o CEO, alguns problemas estruturais precisam ser debatidos urgentemente. “Aproximadamente, 51% das mulheres na segurança cibernética já enfrentaram alguma forma de discriminação, ou assédio. Além disso, relatam dificuldade para entrar no mercado de trabalho e ainda lutam pela equidade de salário”.

“Mulheres interessadas em capacitação não é o suficiente para mudar este cenário. É essencial que o mercado olhe para essa disparidade e, consequentemente, desenvolva estratégias para acelerar a igualdade de gênero no setor”, conclui o executivo.

 

 

 

 

Fonte: https://olhardigital.com.br/2022/02/20/pro/interesse-mulheres-ciberseguranca-brasil/