Telescópio Hubble acompanha transformação de estrela moribunda

Em plena atividade há 31 anos, o telescópio espacial Hubble – entre outras tarefas – vem acompanhando os momentos finais da vida de uma estrela moribunda: AG Carinae, uma das mais brilhantes da Via Láctea, emitindo uma quantidade de luz equivalente a um milhão de sóis. Para mostrar a evolução da estrela, a Nasa comparou imagens feitas pelo Hubble em 2020, 2014 e 1994.

Como está a 20.000 anos-luz de distância da Terra, e com uma grande quantidade de poeira estelar no caminho, AG Carinae não pode ser vista a olho nu. Pelas lentes do Hubble, porém, a estrela se apresenta cercada por emissões ionizadas de hidrogênio e nitrogênio, da sua nebulosa em expansão. Os astrônomos acreditam que ventos estelares poderosos vindos da estrela formaram e moldaram as bolhas de poeira e os filamentos em seu entorno.

Estrela variável luminosa azul, AG Carinae como observada pelo telescópio espacial Hubble em 1994. Imagem: ESA/Hubble and NASA, A. Nota, C. Britt
Estrela variável luminosa azul, AG Carinae como observada pelo telescópio espacial Hubble em 1994. Imagem: ESA/Hubble and NASA, A. Nota, C. Britt

A nebulosa de AG Carinae tem cerca de cinco anos-luz de largura, quase a mesma distância daqui até a estrela mais próxima além do Sol, Proxima Centauri. Classificada como uma estrela variável luminosa azul, AG Carinae está em constante estresse entre sua gravidade e a pressão da radiação. À medida que a estrela começa a ficar sem combustível, sua pressão de radiação diminui e a gravidade começa a se firmar. O material estelar sucumbe à gravidade e “cai” em direção ao seu centro, para ser aquecido e ejetado de forma explosiva para o espaço interestelar circundante.

De acordo com a Nasa, esse processo continuará até que massa suficiente seja perdida e a estrela alcance um estado estável. A nebulosa em torno de AG Carinae formada por esse material ejetado nos últimos 10 mil anos, e a velocidade observada do gás (composto principalmente de hidrogênio ionizado e nitrogênio) é de aproximadamente 69 quilômetros por segundo.

A mesma estrela, AG Carinae, agora em imagens feitas entre 2012 e 2020. Imagem: ESA/Hubble and NASA, A. Nota, C. Britt
A mesma estrela, AG Carinae, agora em imagens feitas entre 2012 e 2020. Imagem: ESA/Hubble and NASA, A. Nota, C. Britt

As observações do Hubble permitiram aos cientistas perceber que o anel em torno da estrela não é perfeitamente esférico, mas parece ter simetria bipolar. Isso pode significar que o mecanismo que produz a explosão pode ser o resultado de um disco no centro ou a estrela pode ter uma companheira (conhecida como estrela binária). Uma teoria alternativa e mais simples é que, como muitas estrelas massivas, AG Carinae pode estar girando muito rapidamente.

 

 

 

 

Fonte: https://olhardigital.com.br/2021/09/19/ciencia-e-espaco/telescopio-hubble-acompanha-transformacao-de-estrela-moribunda/

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