Em laboratório, cientistas recriam condições de Titã, uma das luas de Saturno

Pesquisadores conseguiram recriar, em laboratório, as condições moleculares e minerais de Titã, uma das luas de Saturno, a fim de aprofundar os estudos que podem levar à compreensão das propriedades do satélite conhecido pela sua superfície de gelo.

Titã é uma incógnita de muito interesse para especialistas nos estudos do espaço: assim como a Terra, ela tem uma densa atmosfera e estações climáticas sazonais. Entretanto, diferentemente da nossa casa, sua composição molecular e mineral são amplamente diferentes das nossas.

Ilustração mostra paisagem amarelada de uma das luas de Saturno: cientistas conseguiram recriar as condições de Titã em laboratório
A lua Titã, de Saturno, é de muitas formas parecida com a Terra, mas nossas diferenças sempre intrigaram pesquisadores. Agora, com a simulação de seu ambiente em laboratório, esperamos aprender mais sobre esse satélite. Imagem: Jurik Peter/Shutterstock

“Moléculas orgânicas simples tipicamente encontradas na Terra em estado líquido são vistas em Titã em estado congelado e sólido, devido à extremamente baixa temperatura do satélite, que vai até -180ºC”, disse Tomče Runčevski, Ph.D, e principal pesquisador do projeto. “Nós descobrimos que duas das moléculas que provavelmente são abundantes em Titã — acetonitrila (ACN) e propanonitrila (PCN) — ocorrem predominantemente em uma forma cristalina que cria nano superfícies altamente polarizadas, que servem como base para a união autônoma de outras moléculas de capacidade prebiótica”.

A atmosfera de Titã é majoritariamente composta de nitrogênio e metano. Quando os raios solares e cósmicos interagem com esses elementos, ambos reagem de forma a criar uma composição química diferenciada na lua de Saturno. Com isso, tanto a ACN como a PCN, que podem ser a razão do tom amarelado da lua, “chovem” em direção à superfície, onde congelam em cristais.

“No laboratório, nós recriamos as condições de Titã em cilindros de vidro”, disse Runčevski. “Normalmente, nós introduzimos água [nesta combinação], que costuma congelar conforme baixamos a temperatura para simular a atmosfera de titã. Completamos o conjunto com metano, que vira líquido, imitando os lagos hidrocarboníferos encontrados pela missão Cassini-Huygens”, finalizou o especialista, citando o orbitador e a sonda que analisaram Titã entre 1997 e 2017 – e de onde vem a maior parte do nosso conhecimento sobre a lua.

Ele continuou a explicação: “a nossa pesquisa revelou muito mais sobre as estruturas de gelo planetário do que já sabíamos antes. Por exemplo, nós descobrimos que uma forma cristalina da PCN não se expande de maneira uniforme ao longo de três dimensões”. Segundo ele, a lua passa por picos e quedas de temperatura e, se a expansão térmica não for uniforme em todas as direções, a superfície da lua pode “trincar”.

Na segunda fase do estudo, Runčevski está preparando amostras de PCN e ACN puras, além de uma misturando ambas as moléculas para análise espectroscópica, envolvendo interações com a luz. A ideia é criar uma base comparável aos dados coletados pela missão Cassini-Huygens, classificando elementos que, naquela época, foram marcados como desconhecidos.

 

 

 

 

Fonte: https://olhardigital.com.br/2021/08/31/ciencia-e-espaco/cientistas-recriam-tita-laboratorio/

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