Confira as principais missões espaciais e eventos astronômicos de 2021

É fato que 2020 não deu espaço para outro assunto a não ser a pandemia do coronavírus. E não foi pra menos. No entanto, o ano foi importante para o progresso da agenda espacial. Inclusive, as colaborações científicas e pesquisas voltadas para as missões fora da Terra ajudaram — direta ou indiretamente — na criação de diversas vacinas contra a Covid-19 em uma velocidade nunca antes vista.

Amostras trazidas da Lua, exploração “close-up” do Sol e avanços de foguetes reutilizáveis de baixo custo foram alguns sucessos ocorridos no ano passado. Isso sem contar os diversos fenômenos astronômicos observados em um ano tão difícil para todos.

A expectativa é que a agenda espacial deste ano seja tão movimentada quanto a de 2020. Além disso, outras conjunções entre planetas e eclipses deverão ser observadas ao longo do ano.

A lista abaixo aponta alguns dos principais eventos espaciais e fenômenos astronômicos que deverão ocorrer em 2021.

Sondas em Marte

Logo em fevereiro, sondas robóticas de três diferentes nações devem chegar em Marte.

O rover Perseverance, da Nasa, conduzirá pesquisas químicas da superfície marciana para procurar evidências de vida antiga. Além disso, coletará amostras do Planeta Vermelho e trará de volta à Terra.

Sonda Perseverance

Perseverance, da Nasa, deverá chegar em Marte no dia 18 de fevereiro. Foto: Nasa/Divulgação

Também está planejada a chegada da sonda chinesa Tianwen-1 em solo marciano. Caso tenha sucesso, a China avançará com a sua primeira missão a Marte, iniciada em julho do ano passado.

Falando em ineditismo, os Emirados Árabes estão enviando o Al Mal (esperança, em português) para o Planeta Vermelho e podem se tornar a primeira nação árabe a conduzir uma missão científica espacial.

A espaçonave foi projetada para ser o satélite meteorológico mais abrangente já enviado a Marte e será capaz de analisar as mudanças atmosféricas diárias e sazonais do planeta.

Outros robôs exploradores

Diversas outras sondas deverão avançar com suas missões espaciais em 2021.

A sonda Juno, da Nasa, deverá “mergulhar” em Júpiter em meados de julho, encerrando sua principal missão.

Já a sonda Akatsuki, da Jaxa (Agência de Exploração Aeroespacial do Japão), deverá realizar explorações solitárias em Vênus.

New Horizons vai procurar um possível próximo destino no Cintura de Kuiper, enquanto as sondas Parker Solar e Solar Orbiter realizarão missões complementares de estudos do Sol.

Visita aos asteroides troianos

Perto do fim de 2021, a Nasa deverá lançar a espaçonave Lucy. Ao longo de 12 anos, Lucy deverá visitar oito asteroides diferentes: um localizado no cinturão de asteroides e outros sete que compartilham a mesma órbita de Júpiter, também conhecidos como asteroides troianos.

Espaçonave Lucy

Lucy visitará asteroides troianos em Júpiter. Foto: Nasa/Divulgação

Presos há bilhões de anos em pontos de estabilidade localizados a 60° do maior planeta do Sistema Solar, os asteroides contêm amostras de material rico em água e carbono. E como parte deste material formou Júpiter, as análises de Lucy podem ser importantes para estudos do planeta “vizinho” da Terra.

Lançamento do Telescópio Espacial James Webb

Desenvolvido desde 1996 pela Nasa, o Telescópio Espacial James Webb (JWST) deverá finalmente ser lançado no espaço em outubro.

Os esforços e os gastos — estimados em US$ 10 bilhões —, no entanto, deverão ser recompensados. Isso porque o objeto será o maior telescópio já enviado ao espaço, com poder de coleta de luz 100 vezes maior do que o Telescópio Espacial Hubble.

Além disso, as observações infravermelhas do instrumento possibilitarão ao JWST estudos sobre formações de galáxias no início do universo, análises químicas das atmosferas de exoplanetas e pesquisas sobre locais de nascimento de novas estrelas.

Primeira sonda privada na Lua

Em 2020, a sonda israelense Beresheet — construída pela empresa SpaceIL — chegou à superfície lunar, mas por meio de um pouso forçado.

Agora, integrando a agenda espacial deste ano, é possível que o primeiro módulo comercial pouse na Lua com sucesso. Isso porque a Nasa fechou contrato com a Astrobotic e Intuitive Machines para a criação dos landers Peregrine-1 e IM-1.

O Peregrine-1 transportará 11 instrumentos para medição da química, do magnetismo e dos níveis de radiação da Lua e também carregará uma biblioteca lunar contendo discos de níqueis gravados com uma enciclopédia dos conhecimentos humanos.

Enquanto isso, o IM-1 terá cinco instrumentos voltados para experimentos de navegação, além de dispor de um detector de rádio projetado para estudos exclusivos de fontes astronômicas de baixa frequência.

Retorno da Rússia e Índia à Lua

A corrida espacial para desenvolvimento de estudos da Lua parece estar cada vez mais acirrada.

Após mais de quatro décadas, a Rússia planeja retomar a exploração robótica da Lua com o projeto Luna 25, dando início a uma série de missões do Luna na década de 2020.

Já a Índia deve lançar o seu módulo lunar Chandrayaan-3 no fim de 2021. A ideia de pousar um lander e rover no satélite natural do Sistema Solar repete os principais objetivos do Chandrayaan-2 — que pousou forçadamente na superfície da Lua em 2019.

Lançamento do Chandrayaan-2

Chandrayaan-2 foi lançado em 22 de julho de 2019. Foto: ISRO/Divulgação

Artemis-1

Em novembro, a missão Artemis-1, da Nasa, deverá usar o Space Launch System (Sistema de Lançamento Espacial) para enviar uma nova cápsula Orion não tripulada para a Lua.

De carona com o Artemis-1 estarão três orbitadores lunares — Lunar Flashlight, Lunar IceCube e LunaH-Map — responsáveis por estudos da água presente na superfície lunar.

Além disso, o Artemis-1 também deverá abrigar a espaçonave NEA Scout, que seguirá para um asteroide próximo da Terra usando uma vela solar como guia.

Nova geração do voo espacial humano

O envio da cápsula Orion não tripulada é só a “ponta do iceberg” do grande progresso entre explorações espaciais e empresas privadas.

A SpaceX, por exemplo, planeja continuar com os protótipos gigantes da nave espacial Starship. A ideia é realizar um voo teste orbital até o fim de 2021.

O foguete New Glenn, da Blue Origins, também deve atingir a órbita neste ano, enquanto a cápsula espacial Starliner, da Boeing, deverá fazer seu primeiro voo tripulado para a Estação Espacial Internacional.

Construído pela United Space Alliance, o foguete Vulcan Centaur também pretende ser uma opção de baixo custo para o acesso espacial.

Primeiro teste real de defesa planetária

A agenda espacial de 2021 também trará desafios relacionados a proteção dos terrestres.

Relembrando o filme “Armagedon”, a espaçonave DART voará de encontro com um asteroide duplo e colidirá com a rocha menor do par, chamada Dimorphos.

Colisão com asteroide

Espaçonave da Nasa colidirá com asteroide duplo para eliminar possíveis riscos de trajeto do astro em direção à Terra. Foto: Nasa/Divulgação

Embora a Nasa e a Jaxa já tenham disparado projéteis contra um cometa e um asteroide, esta será a primeira vez que será usado o impacto cinético para desviar um asteroide em direção à Terra.

Nova estação espacial da China

O ano de 2021 também marcará o início da construção da estação espacial chinesa. O módulo Tianhe (“Juntando-se aos Céus”, em português) deverá entrar na órbita da Terra ainda no primeiro semestre do ano.

As primeiras equipes devem chegar em breve, mas o país não divulgou nenhuma data específica para o evento.

Principais fenômenos astronômicos

Sim, a agenda espacial de 2021 parece estar carregada de novos desafios. No entanto, as missões são um pouco complicadas de serem acompanhadas pelo público.

Mas para a felicidade de amantes de astronomia, este ano também contará com fenômenos astronômicos importantes e, diferentemente das missões espaciais, poderão ser observados “mais de perto” pelas pessoas.

Conjunção de Marte com Urano

Em 20 de janeiro está prevista a aproximação entre Marte e Urano.

O fenômeno, no entanto, dificilmente poderá ser observado a olho nu. Isso porque o brilho de Urano é muito fraco e o planeta é facilmente ofuscado no céu.

Eclipse solar parcial

O eclipse solar parcial está previsto para acontecer em 20 de junho, mas apenas alguns felizardos poderão acompanhar o fenômeno.

O evento ficará visível em grande parte da Europa e na região nordeste dos Estados Unidos, onde será possível observar o “anel de fogo” provocado pelo fenômeno.

Já no fim do ano, em 4 de dezembro, outro eclipse solar deverá acontecer, desta vez, escurecendo o Sol sobre a Antártica.

Eclipses lunares

Os eclipses lunares também aparecerão em duas oportunidades em 2021: em 26 de maio e em 18 de novembro.

Eclipse lunar

Evento está programado para ocorrer em duas ocasiões neste ano. Foto: Ganapathy Kumar/Unsplash

No primeiro evento, o eclipse lunar total será visível no leste da Ásia, Austrália, Oceano Pacífico e região oeste dos EUA.

Já o segundo fenônomeno consistirá em um eclipse lunar parcial, podendo ser observado em todas as Américas.

 

 

 

 

Fonte: https://olhardigital.com.br/2021/01/08/ciencia-e-espaco/confira-as-principais-missoes-espaciais-e-eventos-astronomicos-de-2021/

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