Bailarinos da Maré conquistam vaga em escola de dança na Bélgica

Da Maré para o mundo. É assim que Marllon Araújo, de 23 anos, e Luyd de Souza Carvalho, 22, pretendem dar seus passos. E num futuro não muito distante.

Moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, os dois foram selecionados para o quadro de alunos da P.A.R.T.S., escola de Bruxelas, Bélgica, reconhecida mundialmente como referência no ensino de dança contemporânea.

Entre 1.196 candidatos, a dupla ocupará duas das 45 vagas a partir de outubro.

Para Marllon, a conquista vai muito além de uma boa oportunidade de aprender novas técnicas.

“Eu fiz a audição da P.A.R.T.S. em 2016 e não fui selecionado. Desde então, viver de dança virou o meu sonho. E em três anos eu me preparei, tanto como pessoa como bailarino, para poder fazer de novo a audição. Hoje, estou entre os selecionados para participar da formação de três anos e para ter um diploma internacionalmente reconhecido em bacharelado de dança. Acredito que vou ganhar mais experiência tanto na dança como também em outras línguas.”

A poucos passos de realizar seus sonhos, os jovens moradores da Maré se organizaram para, economicamente, dar conta da viagem. Eles embarcam dois meses antes do início do curso para aperfeiçoar o inglês em nível avançado, exigência da escola.

“A gente conseguiu as passagens, mas ainda não existe dinheiro para nos manter lá. São dois meses morando lá com custos e custos altos. A gente está indo mais cedo para fazer um curso de inglês, porque nosso nível não é o que a escola exige”, conta Luyd, que organizou com o companheiro de viagem oficinas de dança para levantar o dinheiro necessário.

“As oficinas de dança surgiram como uma opção para ajuda financeira. E a gente vai sair da Maré para o mundo”, completa.

A dança que muda vidas

Além da oportunidade de estudo no exterior, outra coisa une a vida de Marllon e Luyd: o Centro de Artes da Maré.

“Acho que o Centro de Artes é uma máquina de construir novas possibilidades. Lá tem muita informação que a gente não encontra em qualquer outro lugar da comunidade. É informação que vem de fora e que não chega fácil a todo mundo. É informação sobre cultura, sobre direitos, informações básicas até”, diz Marllon.

Mesmo indo para outro país, Luyd quer ter a oportunidade de aplicar todo o conhecimento que vai adquirir e mudar a realidade de outros jovens da comunidade.

“O meu objetivo é voltar dessa formação direto para a Maré. Quando você encontra um lugar que você chama de lar, mesmo diante de ameaça da violência e tudo mais, você não troca por nada. E eu não consigo me ver morando em outro lugar, longe do meu lar.”

 

 

 

 

Fonte: https://g1.globo.com/olha-que-legal/noticia/2019/06/19/bailarinos-da-mare-conquistam-vaga-em-escola-de-danca-na-belgica.ghtml

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