Robô cria música imitando compositor clássico

Os pesquisadores Gaetan Hadjeres e François Pachet do laboratório de ciências da computação da Sony em Paris criaram uma inteligência artificial capaz de criar peças musicais que imitam o estilo do compositor barroco Johann Sebastian Bach. No artigo científico no qual detalharam sua criação, os dois pesquisadores chamaram o sistema de “DeepBach”.

Foram utilizados métodos de aprendizagem de máquina (como redes neurais) para alimentar o sistema com grandes quantidades de dados estruturados. Esses dados, no caso, foram os 389 corais compostos por Bach durante sua vida. Em seguida, eles usaram a máquina para gerar uma nova composição com base nos dados que ela havia recebido.

Um compositor ideal para ensinar robôs

Os responsáveis pela criação do sistema foram os mesmos que criaram a inteligência artificial que compôs uma música no estilo dos Beatles. De acordo com o The Verge, a música de Bach, porém, era quase perfeita para esse tipo de experimento. Ele foi incrivelmente prolífico ao longo de sua vida, e suas composições tinham estruturas fixas, que seguiam uma série de padrões e formalidades do estilo barroco.

Dentro da música de Bach, os corais eram o conjunto de composições mais adequado a esse tipo de trabalho. Eles consistem em peças para coro com quatro linhas melódicas de vozes. Como a instrumentação é sempre a mesma (quatro linhas melódicas) e como Bach compôs 389 corais, havia bastante material estruturado para treinar a inteligência artificial.

Criatividade artificial

Ainda assim, o “DeepBach” ainda tem algumas limitações que o distanciam de compositores reais. Mais notavelmente, ele só é capaz de compor mantendo o mesmo tom e a mesma formula rítmica ao longo de toda a composição. Mesmo com essas insuficiências, contudo, ele pode ser um passo importante no sentido de criatividade computacional.

Uma vez finalizado o sistema, os pesquisadores criaram também um teste no qual participantes podem ouvir dez trechos de composição e opinar se eles foram compostos por Bach ou pelo sistema. O teste pode ser feito por meio deste link.

Trata-se de um ramo que vem crescendo bastante nos últimos anos, graças em parte aos métodos de aprendizagem de máquina que permitem esse tipo de treinamento. O Google, por exemplo, já criou um projeto chamado Magenta que tem como objetivo ensinar computadores a fazer arte. O sistema do Magenta já chegou também a compor uma música. Ainda em 2016, produtores fizeram um curta-metragem com base em um roteiro escrito por uma inteligência artificial treinada de maneira semelhante.